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Ainda que eu falasse a
língua dos homens.
E falasse a língua do
anjos, sem amor eu nada
seria.
É só o amor, é só o
amor.
Que conhece o que é
verdade.
O amor é bom, não quer o
mal.
Não sente inveja ou se
envaidece.
O amor é o fogo que arde
sem se ver.
É ferida que dói e não
se sente.
É um contentamento
descontente.
É dor que desatina sem
doer.
Ainda que eu falasse a
língua dos homens.
E falasse a língua do
anjos, sem amor eu nada
seria.
É um não querer mais que
bem querer.
É solitário andar por
entre a gente.
É um não contentar-se de
contente.
É cuidar que se ganha em
se perder.
É um estar-se preso por
vontade.
É servir a quem vence, o
vencedor;
É um ter com quem nos
mata a lealdade.
Tão contrario a si é o
mesmo amor.
Estou acordado e todos
dormem todos dormem
todos
dormem.
Agora vejo em parte. Mas
então veremos face a
face.
É só o amor, é só o
amor.
Que conhece o que é
verdade.
Ainda que eu falasse a
língua dos homens.
E falasse a língua do
anjos, sem amor eu nada
seria.
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